O projeto aqui apresentado integra as possibilidades de acessar, acumular e interpretar informações com uma visão ampla de política de gestão de energia com bases ambientais. Para tal fim convém inicialmente recordar o conceito de desenvolvimento sustentável como: “o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro”. A partir desta definição percebe-se que pelo menos desde a Revolução Industrial o modelo de desenvolvimento praticado por quase todos os países é o não sustentável em relação ao consumo de bens, à água e à energia.
A pratica do desenvolvimento não sustentável traz inúmeras conseqüências: modificações climáticas, contaminações de mananciais e esgotamento de recursos naturais. Essas conseqüências agem em conjunto de modo a reduzir significativamente a qualidade de vida das populações humanas e compromete o futuro de nossa espécie.
Atualmente tanto paises desenvolvidos, como em vias de desenvolvimento têm apresentado e implantado programas voltados para um modelo de desenvolvimento sustentável em algumas áreas, em particular as de economia de energia. Já é possível perceber que a transição de um modelo de desenvolvimento para outro não é única assemelha-se mais a um mosaico de atitudes, propostas e ações locais que em conjunto levarão a uma solução integrada.
Dentre as ações que visam colaborar para o estabelecimento de um modelo de desenvolvimento sustentável destacam-se aquelas que tentam tornar o consumo e a produção de energia elétrica menos agressivas ao meio ambiente e também aquelas que tentam racionalizar o consumo de recursos hídricos. Como exemplos destas ações têm-se: a) com relação á energia elétrica: o incentivo á produção de energia elétrica através de recursos não esgotáveis (energias eólica e solar) e a implantação de horários de verão (que estão limitados a alguns períodos do ano) e b) com relação á racionalização do consumo de recursos hídricos: campanhas publicitárias para incentivar a economia de água e programas de reflorestamento de matas ciliares. Ações desses tipos são justificadas pelo fato de tanto a questão energética quanto a questão do esgotamento dos recursos hídricos estarem no centro do problema de como migrar do desenvolvimento não sustentável para o sustentável.
Com o intuito de avançar em relação a essas iniciativas, o presente trabalho propõe a criação de um sistema que a partir das residências, empresas, hospitais poderá gerar informações mais precisas sobre o padrão de consumo de cada proprietário, acumular e interpretar o conjunto desses dados em perfis de consumidores. Esses perfis auxiliariam as operadoras de energia a proporem ações de estímulo e ou restrição à demanda de energia por segmentos de consumidores e não mais pela média. Dessa forma, este projeto inova em relação aos programas de economia de energia tradicionais que não dispõem de dados específicos, instantâneos e propõem ações a partir do consumo médio de uma região. Esse gerenciamento inova ao permitir a interatividade do consumidor com empresas de geração e distribuição dos recursos. A relação entre esses não se limita à conta no final do mês, mas envolve avaliações imediatas do perfil de consumo e possíveis medidas para reduzi-lo, ou mesmo mantê-lo baixo. O projeto propõe um sistema que coleta e compartilha informações que poderão ser utilizadas para orientar e facilitar as decisões de investimento em novas unidades ou medidas de economia de energia. Finalmente existem condições para uma política mais ampla de gestão de energia com bases ambientais.
Ao atacar as questões de planejamento energético e maximizar a eficiência de campanhas de economia de recursos tanto energéticos quanto hídricos o projeto colabora para o estabelecimento de um modelo de desenvolvimento sustentável, porém, as potencialidades deste projeto não se limitam a isto já que as conseqüências negativas do desenvolvimento não sustentável já podem ser sentidas, estas se agravam enquanto um modelo de desenvolvimento sustentável não for estabelecido.
Dentre os efeitos do modelo de desenvolvimento não sustentável destacam-se aqueles relativos às alterações climáticas e precipitações chuvosas, que comprometem a própria geração de energia elétrica, sobretudo quando falamos em energia hidroelétrica. O comprometimento da geração de energia elétrica pode levar a ocorrência de apagões quando o consumo é maior do que a oferta. Quando isto acontece serviços essenciais como serviços de saúde (hospitais) e serviços de segurança pública (delegacias) ficam temporariamente inoperantes ou, no mínimo, comprometidos.
Considerando-se a migração para o desenvolvimento sustentável, o projeto permite também que os usuários do sistema (sejam empresas ou pessoas físicas) ao se integrarem à rede disponibilizem o acesso para a companhia de distribuição de pontos de baixa de baixa importância que podem ser desligados em momentos críticos. De posse do comando destas tomadas a companhia de distribuição pode na iminência de um apagão tentar reduzir o consumo de energia evitando que o pior aconteça e, assim, mantendo os serviços essenciais (hospitais, delegacias, semáforos, iluminação pública). Dessa forma a rede se insere em uma visão de responsabilidade social na qual cada consumidor diz o que pode abrir mão em benefício da coletividade. Observe-se que as operadoras também devem explicitar as suas ações para evitar que o apagão aconteça.